No dia 1°. de agosto – o Feriado Nacional da Suíça – toda a Suíça fica em festa. As pessoas tomam café da manhã em propriedades rurais, celebram, fazem churrasco e debatem sobre a Suíça. Mas, espere… em qual língua, afinal? Usamos a Festa Nacional para dar uma olhada nas línguas da Suíça.
Será que a Suíça tem uma língua própria?
Não existe um “suiço” assim como não existe um “brasileiro”, com a diferença de que no Brasil se fala uma única língua; o português. Na Suíça, há oficialmente 4 línguas. Isso mesmo: 4! Esse multilinguismo é um aspecto essencial da identidade suíça e está até mesmo consagrado em lei.
As 4 línguas oficiais são: alemão, francês, italiano e romanche. Dependendo da região, você ouvirá uma dessas línguas com mais frequência. Em Zurique e Berna fala-se principalmente alemão; em Genebra e Lausanne, francês; em Lugano, italiano; e em algumas partes do cantão dos Grisões, romanche.
Muitos suíços também falam inglês, especialmente nas grandes cidades e no ambiente de trabalho. Ainda assim, é muito apreciado quando você tenta aprender uma das línguas locais — há muitos cursos e aplicativos que podem ajudar nisso.
Alemão padrão e suíço-alemão
O “Schwiizerdütsch” (= suíço-alemão), falado na parte de língua alemã da Suíça, pode ser bem diferente do alemão padrão — não só na escrita, mas também na pronúncia. E ainda pior: muda de uma região para outra! Mas não se assuste com isso. A maioria dos suíços entende o alemão padrão e terá prazer em ajudar você a se acostumar com o dialeto.
Para consolar: até mesmo os alemães que não visitam a Suíça com frequência têm dificuldade com o suíço-alemão. Às vezes, até o vocabulário muda completamente. O suíço, por exemplo, pedala na seu “Velo” ao invés de em uma “Fahrrad” (= bicicleta), e anda de “Töff” em vez de “Motorrad” (= moto).
Em placas de rua, cardápios de restaurante ou até nos teclados de computador, você logo perceberá que os suíços simplesmente decidiram abolir a letra “ß” do alfabeto alemão. Por quê? Ninguém sabe ao certo. Assim, “Straße” vira “Strasse” (= rua) e “Fußball” vira “Fussball” (= futebol). Mas cuidado: às vezes, essa mudança pode alterar o sentido! Afinal, há uma diferença entre beber cerveja em “Maßen” (= em quantidade moderada) ou em “Massen” (= em grande quantidade), não é?
A “barreira do Rösti”
O suíço-alemão é um caso à parte. Alguns até brincam dizendo que, na Suíça, não se falam 4, mas 5 línguas — considerando o suíço-alemão como a quinta. Mas, na prática, o que realmente é marcante para os suíços é a fronteira linguística entre a Romandia (= parte francófona da Suíça, também chamada de “Welschland”) e a Suíça alemã (= parte germanófona da Suíça), conhecida carinhosamente como “Röstigraben”.
“Röstigraben” é um termo bem-humorado inspirado num prato suíço à base de batata (= o “Rösti”, já ouviu falar ou comeu batata suíça no Brasil?!) e simboliza as diferenças não só linguísticas, mas também culturais e políticas entre os suíços francófonos e germanófonos. Em diversas votações nacionais, por exemplo, é comum que o resultado na Romandia seja bem diferente do da Suíça alemã. Apesar disso, a “barreira” ou “fosso do Rösti” é mais um símbolo da rica diversidade cultural do país do que uma separação real. E, no fim das contas, todos os suíços apreciam juntos um bom Rösti — não importa de que lado do fosso você viva.
E o português?
As línguas não nacionais mais faladas na Suíça são o inglês e o português. Sim, português! Além dos brasileiros, há também muitos portugueses vivendo na Suíça. Segundo uma pesquisa do Departamento Federal de Estatística de 2023, cerca de 3,5% da população declarou o português como sua língua principal — o que significa aproximadamente uma em cada 30 pessoas. Dê um passeio pelo centro de Zurique e conte as pessoas à sua volta — com um pouco de sorte, a número 30 vai te cumprimentar com um “Oi, tudo bem?”. Brincadeiras à parte, é realmente comum ouvir português nas ruas ou nos bondes de Zurique. Pode ser surpreendente, mas também é um sinal acolhedor — e ajuda muito a se sentir em casa mais depressa.

